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Edifício
Torre 2000, São Paulo-SP
Cristal, pedra e aeronaves no topo
Criado
para atender empresas de porte médio, o edifício
comercial Torre 2000 foi implantado em local de grande visibilidade,
em São Paulo.
O desenho destaca um bloco de vidro laminado
sobreposto a uma grelha vertical de granito, coroado por
elemento circular revestido com placas de alumínio
composto.
A caixa de vidro está apoiada em
pilares circulares de 10 m de altura, revestidos com painéis
de alumínio composto. Nos fundos do lote, uma área
resultante da redução da taxa de ocupação
e da implantação da torre abriga uma grande
praça.
A conformação de cada pavimento-tipo,
com área útil de 400 m2 dividida em quatro
módulos acopláveis de 100 m2, privilegia a
vista da região, do alto de seus 25 andares.
A
flexibilidade do layout é garantida pela inexistência
de pilares internos e pelos shafts visitáveis, localizados
em pontos estratégicos de cada andar. A estrutura
tem um núcleo central estrutural e pilares de periferia
em concreto armado, que sustentam as lajes de piso.
Na execução da fachada do
edifício foi utilizado o sistema stick. Colunas e
travessas formam uma malha estrutural fixada à estrutura
com ancoragens de alumínio e chumbadores expansivos
de aço inox. É essa malha que recebe os quadros
de vidro.
A vedação da fachada frontal
foi executada com silicone glazing, enquanto nas laterais
e na posterior ela resulta da combinação de
elementos de concreto pré-moldados verticais, revestidos
com granito, e silicone glazing.
Para as áreas de shafts, escadas
e sanitários, foram utilizados blocos de concreto
com aplicação de textura.
Orientada para o sul, a fachada frontal
recebeu vidros laminados refletivos prata de 8 mm, Cool
Lite, de alto desempenho térmico. No total, foram
utilizados cerca de 5.200 m2
de vidro.
O
sistema silicone estrutural foi produzido com perfis de
alumínio da linha especial Mário Newton
60 mm e executado pela Itefal. Os caixilhos receberam tratamento
anodizado preto fosco A-18, da Olga Color.
Para a vedação, foram usadas
gaxetas de EPDM
em três níveis. Em dois deles, elas têm
os cantos vulcanizados por meio de injeção.
As travessas têm formato especial
que permite a saída de água para o lado externo
através de drenos, assegurando a estanqueidade no
caso de ocorrência de falhas na vedação.
As ancoragens foram fabricadas com perfil
de alumínio e fixadas à estrutura com chumbadores
de expansão. Os arremates de peitoril (veja detalhes)
e os que dividem diferentes espaços foram preenchidos
com gesso para oferecer isolamento acústico entre
andares e entre ambientes.
Outro detalhe da fachada principal: nos
cantos, a 90 graus, não existe coluna estrutural
de alumínio, somente um tubo de alumínio de
4 cm x 4 cm para cada vedação do vidro (veja
detalhe). Os quadros, montados em forma de L, dão
mais leveza ao conjunto.
Com pé-direito de 8 m, o lobby é
protegido por sistema de envidraçamento; os vidros
são fixados em uma subestrutura de alumínio
que está ligada à estrutura metálica.
O conjunto foi dimensionado e fornecido
pela Itefal. Os caixilhos do lobby também serviram
de apoio para uma grande marquise estruturada em metal e
revestida com painéis de alumínio composto.
Para
o projeto de um heliponto é necessário adotar
como parâmetro o tamanho da maior aeronave que irá
operar no local. Essas medidas são importantes para
dimensionar a capacidade portante que a área de toque
- o centro do heliponto - deve ter, de modo a garantir o
pouso do aparelho, e a quantidade de extintores necessários
em função do tamanho do tanque de combustível
do helicóptero.
Na Torre 2000, a princípio, foi
adotado o modelo Sykosky S76, mas ele exige uma plataforma
quadrada de 24 m x 24 m, que definia uma circunferência
de Ø 34,6 m. Essas dimensões são exageradas
em relação aos recuos determinados pela legislação
municipal.
Assim, a Sanca Engenharia, o arquiteto
Jonas Birger e o engenheiro Carlos Freire optaram por um
heliponto de 21 m x 21 m, com área de toque de
14 m x 14 m. O projeto atende o segundo maior helicóptero
em operação regular na cidade de São
Paulo, o Dauphin.
O heliponto está inserido em uma
área circular protendida - que faz o coroamento do
edifício - revestida em sua parte inferior com painéis
de alumínio composto de 4 mm, na cor prata.
Segundo Freire, consultor técnico
do projeto aeronáutico, a resistência da área
de toque é compatível com o Sykosky S76, que
pesa 5,3 toneladas.
Embora não fosse este o helicóptero
adotado como modelo, serviu como determinante para dimensionar
a resistência do piso do heliponto, afirmou.
A proteção contra incêndio também
foi dimensionada para aeronaves maiores que o Dauphin.
Devido às necessidades dimensionais
do heliponto circular e do tratamento final das fachadas,
foi necessária a construção de grandes
balanços, possíveis somente em estrutura metálica.
A leveza desejada pelo arquiteto foi obtida
com uma trama executada com perfis soldados de alma cheia
fabricados em aço Usi-Sac 41 de alta resistência
à corrosão atmosférica.
Todas as peças receberam tratamento
superficial à base de epóxi e acabamento em
poliuretano na cor branca. A estrutura metálica foi
fixada na laje de concreto por meio de chumbadores químicos
com espessura de 11/4 de polegada (~ 7 cm).
Na execução da área
de toque foi empregada laje de concreto do tipo steel deck.
Para diminuir o peso próprio da estrutura, na região
dos balanços foram aplicadas chapas metálicas
como piso.
Texto resumido a partir de reportagem
de Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 32 - Janeiro 2002

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